FAQ — como ler a Triagem Bazin

Tudo o que o relatório mostra, explicado em linguagem simples: a estratégia, cada coluna da tabela, os vereditos, os alertas (e o que é um valor bom ou ruim em cada indicador) e a metodologia por trás dos números. Se algum termo soar estranho — EBITDA, payout, P/VP — há um glossário para iniciantes no fim da página.

O básico

O que é esta triagem?

É um filtro de ações da B3 no estilo Luiz Barsi e Décio Bazin: procura pagadoras de dividendos perenes, negociadas abaixo de um preço justo, para comprar, manter e acumular pela renda crescente — e não para vender com lucro rápido.

Para cada ação, o modelo responde duas perguntas: 1) esta empresa é uma pagadora de dividendos durável (qualidade)? 2) ela está barata em relação à renda que paga (preço)? A nota, o veredito e os alertas são só formas de resumir essas duas respostas.

De onde vêm os dados?

Dos dados públicos de mercado da B3 — cotações, dividendos e demonstrações das empresas listadas — e da SELIC divulgada pelo Banco Central. Como todo dado público, pode conter erros ou atrasos — por isso o rodapé recomenda sempre conferir uma segunda fonte antes de decidir qualquer coisa.

Isso é recomendação de compra?

Não. É uma ferramenta de triagem e ranqueamento: ela levanta candidatas e explica por que avalia cada uma. A leitura do negócio, a conferência dos números e a decisão são suas.

A estratégia

O que é o "teto de Bazin" (a coluna TETO)?

É a regra de preço do Décio Bazin: uma ação só vale a compra quando o dividendo anual rende pelo menos 6% sobre o preço pago. O teto é o preço máximo que ainda entrega esses 6%:

TETO = dividendo anual esperado ÷ 0,06

Exemplo: se uma empresa paga R$1,20 por ação ao ano, o teto é R$20,00. Pagando até R$20, você trava um rendimento de 6% ou mais sobre o seu custo — para sempre, enquanto o dividendo se mantiver. Pagando acima, você está pagando caro pela renda.

O detalhe importante é qual dividendo entra na conta — veja a pergunta sobre "windfalls" na seção de metodologia.

Duas regras de bastidor mantêm a conta honesta: os proventos históricos são ajustados por desdobramentos e bonificações para a mesma base acionária do preço de hoje (senão uma ação que desdobrou 4:1 pareceria 4× mais barata do que é), e restituição de capital não conta como dividendo — devolver o próprio dinheiro do acionista não é renda.

O que é BESST? Por que a triagem padrão só mostra esses setores?

É o universo preferido do Barsi: Bancos, Energia elétrica, Saneamento, Seguros e Telecom. São setores regulados ou de demanda recorrente — as pessoas não deixam de pagar luz, água e seguro — capazes de pagar dividendos em qualquer fase do ciclo econômico.

O relatório pontua a bolsa inteira, mas abre filtrado nesse núcleo — os botões de escopo ampliam a visão em camadas: +Cíclicas (petróleo, mineração, siderurgia, papel, construção, locação) e Tudo (inclui as não classificadas). Cíclicas e não classificadas nunca recebem COMPRA, no máximo OBSERVAR, porque dividendo de commodity vem e vai com o ciclo — então ampliar o escopo nunca insere um "COMPRA" não vetado na sua tela.

A metodologia

Como uma ação vira uma linha da tabela?
  1. Universo e setor — classificação setorial curada (o dado bruto da fonte é pouco confiável).
  2. Filtros rígidos — paga dividendo todo ano (≥7 consecutivos), é lucrativa, negocia ≥ R$5 milhões por dia (dá para comprar de verdade) e tem porte/maturidade. Quem falha, sai.
  3. Qualidade — ROE mediano de 5 anos, payout sustentado, alavancagem.
  4. Renda — yield atual e histórico, crescimento, consistência e estabilidade dos dividendos.
  5. Teto e margem — teto de Bazin sobre uma base conservadora (veja a pergunta seguinte).
  6. Nota, alertas e veredito — nota 0–100, alertas com severidade, e o veredito limitado pelo teste de risco mais conservador.
Por que usar a MEDIANA dos dividendos, e não o último ano?

Porque é assim que o modelo evita as duas armadilhas clássicas de um filtro ingênuo de "maior yield ganha":

A nota (0–100) é confiável? E o backtest?

A nota combina dois eixos — Qualidade (o negócio) e Preço (a entrada) — que aparecem separados no painel de detalhes, para você ler direto "ótima empresa, preço ruim" ou o contrário.

Sobre validação: existe um backtest ponto-no-tempo (sem olhar o futuro) desde 2014. Os resultados até agora: a defesa contra cortes de dividendo é real e a ordem COMPRA > OBSERVAR se sustenta fora do período da COVID. Mas o universo é pequeno, o período é dominado por poucos ciclos, e o modelo não tem defesa contra fraude contábil (nenhum filtro de fundamentos tem). Trate a nota como um ranking fundamentado, não uma promessa.

O que a SELIC tem a ver com os 6%?

Nada, de propósito. O cabeçalho mostra a SELIC só como referência de contexto. A meta de 6% do Bazin é absoluta: com a SELIC a 14%, a renda fixa parece imbatível — e é justamente aí que as boas pagadoras ficam baratas. Para o acumulador, SELIC alta é a liquidação, não o motivo de vender. (O dividendo cresce com o tempo; o CDI do título não.)

A tabela, coluna por coluna

Nota

Ranking geral de 0 a 100 (qualidade + preço, após penalidades e bônus).

Bom valor: maior = melhor candidata. Diferenças de ~2 pontos são empate técnico — use como ordem de estudo, não como nota de corte.

Veredito

COMPRA / OBSERVAR / CARO — a manchete da linha. Veja a seção de vereditos abaixo, e leia sempre o motivo no painel de detalhes (clique na linha).

Preço e Teto

Preço é a cotação atual (R$). Teto é o preço-teto de Bazin: a base de dividendos ÷ 6% — o preço máximo que ainda entrega 6% ao ano de renda.

Bom valor: quanto mais o preço estiver abaixo do teto, melhor o ponto de entrada.

MdS (margem de segurança)

Quanto o preço está abaixo (+) ou acima (−) do teto, em %.

Bom valor: positiva. Um * ao lado avisa que o dividendo atual mudou muito em relação ao histórico — desconfie dessa margem e abra os detalhes da linha.

DY 5a (rendimento)

O rendimento sobre a base de dividendos usada no teto — resistente a pagamentos extraordinários. Não é o "DY de manchete" dos sites, que um dividendo especial infla fácil.

Bom valor: ≥ 6%, a meta de Bazin.

Dmed (mín–máx)

O dividendo anual mediano em R$/ação nos últimos 5 anos, com a faixa do menor ao maior pagamento anual.

Bom valor: faixa estreita = pagadora previsível. Faixa larga (máx muito acima do mín) = renda volátil ou com anos extraordinários.

ROE (rentabilidade)

Retorno sobre o patrimônio — quanto a empresa lucra por real de capital próprio. Mediana de 5 anos, para um ano fora da curva não distorcer.

Bom valor: ≥ 15% é ótimo, 10–15% saudável, < 10% gera o alerta Q.

P/VP (preço sobre patrimônio)

Preço da ação ÷ valor patrimonial por ação.

Bom valor: < 1 com lucro consistente é a margem de segurança clássica (ganha o bônus B). Alto não é veto — veja a explicação completa na seção de alertas.

Payout (fatia do lucro distribuída)

Quanto do lucro vira dividendo (mediana sustentada de 5 anos).

Bom valor: a faixa saudável é 20–105%. Acima de 100% a empresa distribui mais do que lucra — insustentável, limita o veredito a OBSERVAR. Abaixo de 20%, não é vocação de renda.

Anos

Anos consecutivos pagando dividendos.

Bom valor: o filtro exige ≥ 7; acima de 25 anos estáveis, a empresa ganha o selo D de "aristocrata".

Alertas e Setor

Alertas são as letrinhas de risco e qualidade — passe o mouse (ou toque) para ler cada uma; a seção seguinte explica todas. A cor indica o tom: verde = positivo (D, B), amarelo = atenção (S, E, H, Q, L), vermelho = risco maior (C, R — os que mais pesam e limitam o veredito). Menos é melhor. Setor é a classificação setorial curada do ativo.

Os vereditos

▲ COMPRA — o que significa?

O preço está abaixo do teto de Bazin (a renda histórica rende ≥6% no preço atual) e nenhum teste de risco travou o veredito. É a lista de candidatas a estudar primeiro — não uma ordem de compra.

Alertas envolvidos: para chegar a COMPRA, o ativo não pode ter C, não pode ter payout acima de 100%, nem histórico curto, nem alertas somando severidade ≥ 4. Um R só trava a COMPRA quando o dividendo atual já implica margem negativa — se ele caiu mas o preço ainda compensa, a COMPRA sobrevive. Os positivos D (aristocrata) e B (abaixo do patrimônio) não decidem o veredito, mas reforçam a candidata quando presentes.

● OBSERVAR — por que uma ação barata pode cair aqui?

O veredito parte do preço, mas depois é limitado pelo teste de risco mais conservador. Uma ação pode estar abaixo do teto e mesmo assim ler OBSERVAR porque:

O painel de detalhes sempre diz qual desses motivos prevaleceu.

▼ CARO — significa empresa ruim?

Não — significa preço ruim para renda. Comprando agora, o dividendo histórico renderia menos de 6% ao ano. Muitas empresas excelentes vivem "caras" por anos (o mercado também sabe que elas são boas). Para o acumulador, elas voltam à lista quando o preço cede ou o dividendo cresce.

Alertas envolvidos: na maioria das vezes, nenhum — CARO é quase sempre só o preço acima do teto. A exceção é uma combinação muito pesada de riscos (severidade ≥ 7), tipo C + S + R, que rebaixa o ativo até aqui mesmo com o preço abaixo do teto — o painel de detalhes distingue "caro de preço" de "rebaixado por risco".

Os alertas, um a um (e o que é um valor bom)

B abaixo do valor patrimonial — ex.: "P/VP 0,92x" (positivo)

O P/VP compara o preço da ação com o valor patrimonial por ação — o patrimônio líquido contábil (ativos menos dívidas) dividido pelo número de ações. É o "preço de tabela" do que a empresa possui.

P/VP 0,92x significa que você paga R$0,92 por cada R$1,00 de patrimônio. Está comprando o negócio por menos do que ele vale no papel — a margem de segurança clássica de Graham, que o Barsi também aprecia.

Como ler os valores:

Resumo: P/VP nunca decide sozinho — leia sempre em par com o ROE.

G sem tag along — ex.: "ação preferencial (PN) sem tag along"

Tag along é o direito de vender junto, no mesmo negócio, quando o controle da empresa é vendido. A Lei das S.A. (art. 254-A) garante 80% do preço pago ao controlador — mas só para as ações ordinárias. A preferencial recebe apenas o que o estatuto ou o segmento de listagem conceder.

Na prática o segmento decide: no Novo Mercado só existem ON (100%); o Nível 2 estende 100% também às PN; mas no Nível 1 e no tradicional a preferencial fica com 0%. O alerta marca exatamente esse caso — e por isso ele aparece na CMIG4, BBDC4 e ITSA4 (Nível 1) e não aparece na SAPR4 nem na KLBN4, que são Nível 2 e têm a proteção estendida.

O que isso significa na prática: enquanto você recebe dividendos, as duas classes são equivalentes — e a PN costuma ter prioridade no provento e muito mais liquidez, que é o motivo de ela ser a classe negociável na maioria dos casos. O risco é específico e raro: uma venda de controle em que o comprador não é obrigado a lhe oferecer nada.

É informativo — não entra na nota nem no veredito. O segmento vem de um retrato atual da B3, sem histórico, então uma página reconstruída de um dia passado lê o segmento de hoje. Como as migrações andam para cima (Nível 1 → Novo Mercado, convertendo PN em ON), o erro possível é sempre para menos: o alerta deixa de aparecer onde deveria, nunca inventa uma exposição que não existe.

V barato ante seu próprio histórico — ex.: "P/VP 1,23x ante mediana de 1,82x (−32%)" (positivo)

Este alerta olha por uma lente diferente da do teto de Bazin. O teto pergunta "o dividendo rende 6% do preço?"; o V diz outra coisa, e é uma afirmação de valuation, não de dividendo: uma empresa saudável cuja ação está barata em relação a si mesma. Ele acende quando o P/VP (ou o P/L) de hoje está pelo menos 25% abaixo da mediana histórica da própria companhia — não abaixo de um absoluto, nem de um par, mas do que ela mesma costumava valer.

É a leitura de valuation com reversão à média (no estilo de Raul Sena / AUVP). Para não cair na armadilha de valor — um múltiplo baixo merecido, de uma empresa encolhendo —, ele exige que o negócio esteja saudável: lucrativa (ROE e lucro dos últimos 12 meses positivos), sem alavancagem excessiva e com o lucro que não está em queda sustentada. Um P/VP de 0,5x sustentado por prejuízo, ou por lucros caindo ano após ano, não acende o alerta. Bancos e seguradoras são exceção nessa última trava: o lucro deles é cíclico em provisões, então um vale de ciclo de crédito (o BBAS3, cujo lucro de 2025 caiu pela metade por provisão do agro mas seguiu muito lucrativo) é a compra clássica de valor, não uma deterioração — a mesma isenção que as cíclicas de commodity já têm, com a trava de lucratividade como rede de segurança.

É informativo — não entra na nota nem no veredito. Responde a uma pergunta diferente (o múltiplo vai se reprecificar?) da que o screener de renda responde. E é independente do dividendo por construção — o R não o suprime: um dividendo em queda é assunto do alerta R, mostrado à parte, então um negócio bom e barato com dividendo ciclicamente baixo pode carregar V e R ao mesmo tempo. A "deterioração" que o V evita é a do negócio (lucro caindo, dívida disparando), capturada pela trava de saúde — nunca um dividendo menor. É por isso que o BBAS3 — banco saudável, ação barata ante o próprio histórico, dividendo ciclicamente baixo — carrega V, R e S ao mesmo tempo: cada alerta conta a sua parte da história, sem um vetar o outro.

Os números do painel de detalhes: P/L, piso estatutário, cadência e prazo de pagamento, DY caixa, ROIC, FCF yield e o teto ajustado

P/L lido do jeito Barsi: quantos anos de lucro a empresa precisa gerar para devolver o preço pago. Banco a 4–5x = você recompra seu dinheiro em meia década; uma queridinha a 50x precisa de meio século — boa empresa, péssimo investimento. Não é veredito (um P/L alto já derruba o DY e o payout, que são pontuados); é régua de leitura. A conta é feita no nível da empresa (valor de mercado da companhia ÷ lucro dos últimos 12 meses atribuível aos controladores): toda classe e unit do mesmo emissor mostra o mesmo P/L, empresas com ano fiscal fora do calendário (São Martinho fecha em março) são casadas pelas datas reais dos balanços, e o lucro que pertence a sócios minoritários de controladas não infla o número.

Cadência de pagamento: a mediana de pagamentos por ano e quantos dos últimos 6 semestres tiveram pelo menos um provento — o teste da "leiteira": vaca leiteira boa paga em quase todo semestre, mesmo em crise. E a tendência da alavancagem: a dívida líq./EBITDA vem com a direção dos últimos 2 anos (↓/→/↑) — o mercado reprecifica a trajetória, não o nível.

EV/EBITDA: o múltiplo padrão para utilities e indústria (valor da firma — mercado + dívida líquida — sobre a geração operacional). Complementa o P/L, que a estrutura de capital distorce. Não se aplica a bancos e seguradoras.

O painel também avisa em dois casos: yield de base acima de 12% (pagadora sólida entrega 6–8% com consistência — acima disso, investigue: problema estrutural, preço desabado ou provento extraordinário) e classe irmã rendendo mais (mesma empresa, preço de entrada diferente — às vezes a ON e a PN divergem o bastante para valer a troca de classe).

Capex/D&A (modo de investimento): perto de 1x, a empresa só repõe o que deprecia — modo manutenção, vaca leiteira: o caixa acima disso pode virar dividendo. Acima de ~2x, modo expansão: o payout fica limitado por anos (não é defeito — é contexto que o histórico de dividendos não mostra). A seta é o sinal de fim de ciclo: expansão caindo é uma pagadora nascendo — a tese com que o Barsi comprou a AES antes do mercado.

Ações em circulação (2a): a direção da quantidade de ações nos últimos ~2 anos. ↓ recompra é o sinal que o Barsi valoriza — menos ações concentram o dividendo futuro em quem fica. ↑ diluição é o contrário: o lucro se espalha por mais ações e cada uma recebe menos ("paga 0 nada por ação"). Vem da série de ações emitidas da CVM (FRE) e só aparece em janelas sem desdobramento/bonificação — assim a seta é uma recompra de verdade, não um evento societário. Apenas informativo.

Yield do piso estatutário: o estatuto de cada companhia fixa um payout mínimo obrigatório (25% é o mais comum; a Lei das S.A. manda 50% quando o estatuto cala). O número mostra quanto esse piso renderia sobre o lucro dos últimos 12 meses ao preço atual — "mesmo num ano em que só saia o mínimo, cai pelo menos isso". É um piso suave: a lei permite suspender quando a situação financeira não comporta, e a conta herda os defeitos do lucro recente (lucro deprimido = piso subestimado).

DY caixa (12m): os mesmos 12 meses, medidos pelo que de fato caiu na conta (data de pagamento) em vez do que virou direito (data ex). Bazin só contava o provento depois de recebido. Cuidado ao ler: a diferença troca de sinal. Numa pagadora que está aumentando o dividendo o caixa fica atrás (o dinheiro que chega hoje foi declarado quando era menor — CMIG4: 11,7% ex contra 10,4% caixa); numa que está cortando, ele fica na frente (SAPR4: 1,6% ex contra 5,6% caixa, porque o que chega hoje foi prometido quando o dividendo era maior). É por isso que este número não entra na nota: pontuá-lo favoreceria justamente as empresas em queda.

Prazo até receber (mediana 3a): quanto tempo passa entre ficar com direito ao provento — a data ex, que é quando o preço já cai — e o dinheiro entrar na conta. A faixa na bolsa é enorme: ~7 dias no BNBR3, 372 na CMIG4, 507 na HYPE3. Não muda o yield, mas atrasa o reinvestimento: um ano parado é um ano de juros compostos a menos. Acima de 120 dias liga o alerta P.

Mix JCP (12m) e yield líquido de referência: quanto dos proventos dos últimos 12 meses veio como JCP. Dividendo é isento para pessoa física; JCP tem imposto retido na fonte (17,5% a partir de 2026). A tela compara valores brutos, então uma pagadora com muito JCP entrega menos do que aparenta — o yield líquido é a estimativa já com o desconto.

ROIC: retorno sobre o capital investido — lucro operacional depois do imposto dividido por patrimônio + dívida − caixa. Complementa o ROE, que é pontuado: o ROE sobe só de a empresa tomar dívida, o ROIC não, porque cobra retorno do capital todo, próprio e de terceiros. Duas ressalvas honestas: a alíquota efetiva não está na base pública, então a conta usa a estatutária de 34% (é aproximação, não a linha fiscal); e para banco e seguradora o conceito não se aplica — capital investido é o negócio — então aparece "—".

FCF yield (mediana): caixa livre (caixa operacional menos capex) sobre o valor de mercado. Responde quanto de caixa livre você compra por real de preço — o dividendo sai daí. Mediana da janela, não o último ano, porque capex é irregular por natureza. "—" para financeiras e para empresas sem capex informado à CVM.

Teto ajustado (NTN-B): o teto do Bazin exige 6% fixo — um número absoluto, que não sabe em que regime de juros estamos. Este mostra o mesmo dividendo dividido pelo que o mercado exige hoje: o juro real longo da NTN-B mais um prêmio de risco de 4 pontos. Em 2026 o real longo paga ~7,5%, então o exigido fica em ~11,5% — ou seja, o teto do Bazin embute um retorno menor que o de um título público. Em 2018, com 5,87% real, os dois quase empatavam. Não serve para escolher entre papéis: o divisor é o mesmo para todo mundo no dia, então este teto é o do Bazin multiplicado por uma constante e a ordem da lista não muda. Serve para dizer o nível — o quanto o alvo fixo está longe do que o risco-zero paga. Veredito, nota e backtest continuam no teto do Bazin.

A controlador alinhado (positivo)

O acionista controlador depende do dividendo — e quem controla define a política de distribuição e paga a si mesmo primeiro; o minoritário vai junto "por tabela" (o critério qualitativo mais repetido nas entrevistas dos Barsi). Quatro perfis entram: holding familiar (a família Klabin vive do provento), matriz estrangeira (o Santander remete para a Espanha), fundo de pensão (obrigações atuariais) e estado fiscalmente dependente (o orçamento do RS precisa do Banrisul; o Tesouro empurrou o payout do BB para ~40% contra um piso de 25%). A distinção importante: estado que depende do dividendo é alinhamento; estado que usa a empresa como política (Petrobras) é o risco da flag S — por isso a Petrobras não ganha esta flag. Bônus pequeno de nota (×1,03), tabela curada à mão.

D aristocrata de dividendos (positivo)

25 anos consecutivos ou mais pagando dividendos, com fluxo estável e sem cortes em curso. É o selo de maior confiabilidade que o histórico consegue dar — exatamente o perfil que o método procura. Ganha um pequeno bônus na nota.

C cíclica

Os lucros (e os dividendos) sobem e descem com o preço de uma commodity ou com o ciclo econômico — mineração, petróleo, siderurgia, papel, construção. O dividendo gordo do topo do ciclo não é renda perene. Por isso cíclicas: usam base de dividendos de 10 anos (para atravessar um ciclo inteiro) e ficam limitadas a OBSERVAR, nunca COMPRA.

S controle estatal

O governo controla a empresa e pode mudar a política de dividendos por motivos políticos (represar tarifa, direcionar investimento, trocar gestão). A severidade escala com o risco percebido: alto / médio / baixo. Não impede um bom veredito — CMIG4 e BBAS3 convivem com o alerta há décadas — mas desconta a nota, porque o risco é real.

R dividendo em queda ("revertendo")

O dividendo dos últimos 12 meses caiu muito em relação à média de 5 anos — ex.: "é só 40% da média". O perigo: o teto e a margem foram calculados sobre um histórico que a empresa já não paga. A margem de manchete fica fictícia (o * na coluna MdS).

No painel de detalhes, o relatório mostra o teto implícito pelos últimos 12 meses — o teto recalculado só com o que a empresa paga hoje. Se ele é muito menor que o teto histórico, acredite no menor.

E dividendo elevado / possivelmente extraordinário

O último dividendo veio bem acima do padrão histórico (ex.: 1,7x a mediana de 5 anos). Pode ser um pagamento especial — venda de ativo, reserva distribuída, ano excepcional — que não vai se repetir. O modelo já se protege usando a mediana como base do teto; o alerta pede que você confirme se o nível novo é recorrente antes de contar com ele.

L baixa liquidez ou porte

O ativo passou nos critérios do método (dividendos consecutivos, lucro), mas negocia menos de R$5 milhões por dia ou tem valor de mercado pequeno demais. Dois problemas práticos: o último preço pode estar defasado (a "margem de segurança" que você vê talvez não exista na hora de comprar) e é difícil montar posição sem mover o preço.

Por isso esses ativos aparecem só na camada Tudo (mesmo quando o setor é BESST), ficam limitados a OBSERVAR — nunca um COMPRA limpo — e a nota leva um desconto (×0,8), porque a margem de segurança "gorda" de um ativo fino pode ser só o preço parado. Ex.: UNIP6, que o próprio Barsi carrega, negocia pouco: aparece, pontuada, mas com o alerta.

H histórico curto

Menos anos consecutivos de pagamento do que o ideal (o filtro pede 7). Aparece em IPOs e spin-offs recentes de negócios maduros — a Caixa Seguridade (CXSE3), por exemplo, é acompanhada, mas fica limitada a OBSERVAR até completar o histórico. Sem prova de perenidade, não há COMPRA limpa.

P calendário de pagamento lento (informativo)

A empresa anuncia o provento, mas o dinheiro demora a cair na conta: a mediana entre a data-ex e o pagamento passa de 120 dias nos últimos 3 anos. Clássicos do gênero: JCP declarado em dezembro e pago ao longo do ano seguinte (Cemig, Copel), parcelas semestrais (CPFL), ou o "anuncia agora, paga quando der" (Sanepar, Vivo). Não muda veredito nem nota — quem vive de renda só precisa saber que o fluxo demora. O alerta some sozinho se a empresa passar a pagar rápido.

Q problema de qualidade

Algum indicador do negócio está fora da faixa saudável — o texto do alerta diz qual:

Cada Q soma pouco sozinho, mas eles acumulam: severidade total ≥ 4 limita a OBSERVAR, ≥ 7 limita a CARO.

Recursos do relatório

O que dá para fazer nesta página?
Como funcionam os botões de escopo (Núcleo BESST / +Cíclicas / Tudo)?

São camadas aninhadas — cada botão inclui o anterior:

As contagens nos botões de veredito se ajustam ao escopo escolhido, e a numeração (#) segue a visão atual. A busca ignora os filtros: digitou um ticker, ele aparece — esteja em que camada estiver. Além disso existe o relatório ponto no tempo (como teria saído numa data passada), identificado no título.

Tem uma versão para programas e robôs (JSON)?

Sim. Cada relatório também é publicado em JSON, com todos os números e o detalhamento da nota de cada ativo:

O JSON traz os findings completos (todos os escopos — filtre por sector_type), counts e counts_besst separados, e um array rejected com quem foi reprovado nos filtros e por quê.

Exemplo com jq: curl -s stocks.carletti.dev/latest.json | jq '.counts'. O mesmo aviso vale: dados para estudo, não recomendação.

Por que algumas units (finais "11") mostram P/VP ou payout "—"?

Os dados de mercado não informam o valor de mercado das units diretamente; o relatório o recupera pela classe-irmã da mesma empresa (ex.: SANB11 via SANB3). Em relatórios correntes isso funciona para quase todas; em relatórios de data passada a reconstrução não é possível e o campo fica vazio. Holdings (GOAU4, BRAP4) ficam "—" por projeto: a contabilidade delas não é comparável.

Outro detalhe de renda: dividendos são isentos de IR para pessoa física, mas JCP tem 17,5% na fonte desde 2026 (era 15% até 2025; 20% previsto a partir de 2028 — LC 224/2025) — os yields exibidos são brutos, então pagadoras intensivas em JCP (bancos, holdings) rendem um pouco menos no líquido do que a tabela mostra.

Glossário para quem está começando

Os termos do mercado usados neste relatório, em uma linha cada.

B3

A bolsa de valores brasileira, onde as ações são negociadas.

Ação e ticker

Uma ação é um pedacinho de uma empresa; o ticker é o código dela na bolsa (ex.: BBAS3). O número no final indica o tipo: 3 = ordinária (ON, com direito a voto), 4 = preferencial (PN, prioridade nos dividendos), 11 = unit (um pacote com ações de mais de um tipo).

Dividendo e JCP

Dividendo é a parte do lucro que a empresa paga em dinheiro a quem tem a ação — no Brasil, isento de imposto de renda para a pessoa física. JCP (juros sobre capital próprio) é outra forma de distribuir dinheiro ao acionista; funciona como o dividendo, mas tem imposto retido na fonte — 17,5% desde 2026 (era 15%; 20% previsto a partir de 2028, LC 224/2025).

Dividend yield (DY) e yield-on-cost

DY é o "rendimento" da ação: dividendos de um ano ÷ preço, em %. Uma ação de R$100 que paga R$6 por ano tem DY de 6%. Yield-on-cost é o mesmo cálculo sobre o preço que você pagou: se o dividendo cresce depois da compra, o seu rendimento sobre o custo só aumenta — é o motor da estratégia de acumular.

Lucro líquido e LPA

O que sobra das receitas depois de todos os custos e impostos; o LPA é esse lucro dividido pelo número de ações (lucro por ação).

Patrimônio líquido (valor patrimonial)

Tudo o que a empresa possui menos tudo o que ela deve — "o que sobraria" se fechasse hoje e pagasse as contas. Dividido pelo número de ações, dá o valor patrimonial por ação usado no P/VP.

ROE

Retorno sobre o patrimônio: lucro ÷ patrimônio líquido. Mede quanto a empresa consegue gerar por cada real dos acionistas investido nela.

Payout

A fatia do lucro que vira dividendo. Payout de 60% = de cada R$1,00 de lucro, R$0,60 vão para o acionista e R$0,40 ficam na empresa.

EBITDA

Sigla em inglês para o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização. Na prática, é uma medida aproximada de quanto caixa a operação do negócio gera, ignorando efeitos contábeis e financeiros. O uso mais comum é comparar com a dívida: dívida líquida ÷ EBITDA diz "quantos anos de geração de caixa seriam precisos para quitar a dívida" — abaixo de ~2x é confortável, acima de 3,5x acende o alerta de alavancagem (Q).

Dívida líquida e alavancagem

Dívida líquida é a dívida total menos o dinheiro em caixa — o que a empresa efetivamente deve. Alavancagem é o tamanho dessa dívida em relação à capacidade de pagá-la (aqui, dívida líquida ÷ EBITDA). Dívida alta compete com o dividendo pelo caixa.

Ativos/PL (alavancagem patrimonial — bancos e seguradoras)

Para bancos e seguradoras, dívida ÷ EBITDA não faz sentido — captar e emprestar é o negócio. A medida análoga é o multiplicador patrimonial: ativos totais ÷ patrimônio líquido, ou seja, quantos reais de ativos se apoiam em cada real de capital dos acionistas. Bancos grandes rodam ~8–13x (acima de ~15x é agressivo); seguradoras, mais leves em ativos, ~1–4x. No relatório é apenas informativo — não entra na nota nem gera alerta, porque sem os ativos ponderados pelo risco (o Índice de Basileia, que os dados públicos não trazem) um número igual pode esconder riscos muito diferentes.

Valor de mercado

O preço da ação × o número total de ações: quanto "custa" a empresa inteira na bolsa.

Liquidez (volume financeiro)

Quanto dinheiro é negociado da ação por dia. Liquidez alta = fácil comprar e vender sem mexer no preço; o filtro exige ≥ R$5 milhões/dia.

Mediana vs média

A mediana é o valor do meio de uma lista ordenada; ao contrário da média, ela ignora um extremo. Por isso o teto usa a mediana: um dividendo gordo e pontual não a distorce.

Últimos 12 meses (TTM)

A soma dos últimos 12 meses corridos, em vez do ano-calendário. É o "hoje" das métricas de dividendo.

SELIC e CDI

A taxa básica de juros do Brasil e sua prima do mercado; são a referência do que a renda fixa paga sem risco.

Cíclica

Empresa cujo lucro depende do preço de uma commodity (minério, petróleo, celulose…) ou do ciclo econômico: anos ótimos alternam com anos fracos, e o dividendo acompanha.

IPO e spin-off

A estreia de uma empresa na bolsa, e o desmembramento de uma parte de uma empresa em outra empresa listada (ex.: Caixa Seguridade saiu da Caixa).

Margem de segurança

O desconto entre o preço pago e o valor justo estimado. Quanto maior, mais espaço para o estimado estar errado sem prejuízo para você.

⚠️ Este material é gerado automaticamente a partir de dados públicos e serve como ponto de partida para estudo — não é recomendação de investimento. Confirme os números em uma segunda fonte (Fundamentus, Status Invest, RI da empresa) e forme a sua própria convicção antes de qualquer decisão.